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27 de fevereiro de 2019

Visita aos sentimentos do Rio

Karla Costa Velho
O Centro Cultural Correios recebe Cocco Barçante, artista plástico e grande incentivador do artesanato, trazendo para o Rio de Janeiro a exposição “Um Rio de Sentimentos” (de 23 de janeiro a 10 de março de 2019) que dá continuidade ao projeto criado por ele em 2000, e mostra seu olhar sobre a cidade maravilhosa.
Na exposição, o artista – que trabalha basicamente com retalhos de tecido e reaproveitamento de materiais reciclados – mostra em seus 12 painéis a temática urbana, contrapondo paisagens belíssimas com o abandono da cidade.
“Cidade Cerzida”, “Harmonia”, “Nós e a Lapa” e “Diversidade" e "Redentor”, são alguns dos títulos dos seus painéis que, em sua maioria, trazem o Cristo Redentor como figura central.
Os trabalhos levantam aspectos que nos remetem aos contrastes do Rio de Janeiro. Alguns enaltecem o bairro, como o painel “Ipanema”, mas em outros, como é o caso da obra “Redentor”, o artista sutilmente mostra a beleza do bairro que ostenta o Cristo em contraponto com a degradação dos prédios históricos e o descaso das autoridades no mesmo local.
Em “Harmonia”, Cocco coloca o Cristo como um grande divisor entre o luxo da orla carioca e uma  comunidade, pontuando que ambos os lados usufruem do privilégio da mesma vista. É a harmonia desarmonizada. Ou a desarmonia harmonizada. Dá o que pensar...
Seguindo a linha de reaproveitamento de materiais, seus alunos, da Faeterj de Petrópolis, ganharam espaço na sala “Planeta”, onde diversas peças de computador se transformam em lustre, abajur, quadro,  mostrando mais uma vez a preocupação do artista com a sustentabilidade. 
Barçante defende soluções criativas para o reaproveitamento de materiais reciclados e tem ao mesmo tempo um olhar apaixonado pelas belezas do Rio. Desse modo, ele consegue mostrar ao visitante como a nossa cidade cada dia é mais cheia de contrastes.
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Uma pequena mostra da exposição "Um Rio de Sentimentos"
Sala Museologia social
Nesta sala encontram-se trabalhos decorativos e utilitários em materiais diversos, provenientes da Casa de Cultura Cocco Barçante, interessante museu do artesanato (cf. link abaixo), apresentando artesãos e grupos atuantes em municípios e regiões do estado do Rio como Sapucaia, Miracema, Paraíba do Sul, Niterói, Petrópolis, dentre outros.
De Márcia Maia de Oliveira, de Araruama. Bordado, costura e colagem.
Do Grupo “O Bangalô” e Eponina Sanches, de Porciúncula. Bordado e costura.
Do Grupo “Jubarte”, do Noroeste Fluminense. Modelagem em argila.
Sala Cidade
Diversos painéis retratam contrastes do Rio realizados por Cocco Barçante
em parceria com outros artistas e coletivos de artesãos, bordadeiras e costureiras da cidade.

Sala Planeta
Trabalhos realizados com estudantes da Faeterj de Petrópolis buscam refletir sobre o acúmulo de lixo, tecnológico ou não, pela reinvenção de dejetos e peças descartáveis de computadores, com o apoio de Lucimar Cunha e Estefan Monteiro.

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Fala, Cocco
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Oficina de criação de máscaras aberta aos visitantes da exposição
Fotos e vídeos: Bia Albernaz

31 de janeiro de 2015

Palácio dos Teixeira no Catete

Ivana Teixeira da Silva
Aprendendo no Palácio do Catete, observa-se a edificação de seu prédio (1858-1866) com arquitetura neoclássica. Em suas dependências funcionam uma livraria e um cinema. Vale ressaltar um imenso e lindo jardim, palco de inúmeros encontros e desencontros.
Foto do site oficial do Museu da Republica
Foi erguido como residência da família do cafeicultor luso-brasileiro Antonio Clementino Pinto (Barão de Nova Friburgo). Após sua morte, seu filho o vendeu. Até que em 1897, no governo de Prudente de Moraes, passa a ser oficiosamente a sede do Governo Federal, considerado assim palco de diversas decisões políticas que marcaram nossa história.

Quando o barão suíço Von Tschudi visitou a região de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro, no século XIX, ao se referiu ao Barão de Nova Friburgo, lembrou de um provérbio brasileiro que dizia: Quem furtou pouco fica ladrão, quem furtou muito, fica barão. Em Nova Friburgo, Clemente Pinto possuía um pavilhão de caça (hoje o Sanatório Naval), um solar e um chalé no Parque São Clemente (hoje pertencente ao Nova Friburgo Country Club). Responsável pela chegada da linha ferroviária até Nova Friburgo, o barão, que era também um traficante de escravos, possuía uma grande fazenda em Cantagalo, além do Palácio do Catete.
O presidente Prudente de Morais, de 1894 a 1898, em retrato de Almeida Júnior
O Museu relembra o suicídio de Getúlio Vargas. Foto do pijama e da arma usados por ele na ocasião. Foto de Rafael Andrade, no site da Folha de São Paulo.
Aprendendo do Palácio do Catete, atenta-se para o chafariz, a natureza, o riacho, a ponte, a gruta, o silêncio, o barulho dos animais, dentre outros aspectos que compõem o jardim transmitindo sentimentos como paz, esperança, história, alegria, saudades...
 Clipes filmados pelo fotógrafo Paulo Resende em abril de 2009.
Neste jardim, ocorrem inúmeros eventos culturais, folclóricos, palestras e exposições. Mas uma em específico marcou a vida da minha família: “Insetos Gigantes”. Minha filha, Marcella, na época com nove anos, ficou apaixonada pelo jardim e seus insetos. Desde então, hoje com catorze anos, recorda com carinho deste lugar e sempre pede: “_Mãe, vamos passear no jardim dos insetos?”
A exposição "Insetos na Cultura Brasileira", entre 15 de janeiro a 14 de março de 2010, no Jardim do Museu da República, foi montada com material da FioCruz. Veja o filme promocional, extraído do site Ciência Hoje. 
Aprendendo o Palácio do Catete, vivencia-se um lugar histórico, importantíssimo para o entendimento do passado, transformação do presente e construção de um futuro melhor. Sobretudo este é um lugar que consegue traçar um eixo entre o antigo e o novo. Eventos como a exposição mencionada possibilitam uma aproximação entre o lugar  e os cidadãos comuns, afetando-os com uma experiência de República não só baseada na contemplação da história do país, mas pelo amplo usufruto dos espaços comuns.
A pequena Marcella, filha da família Teixeira, aproveintando a sua visita ao Museu da República.

Um dia, o lugar o Palácio do Catete foi a casa da família Pinto, depois dos Moraes, dos Vargas ... e hoje é dos Teixeiras e de todos os cidadãos desta cidade do Rio de Janeiro.
 

19 de junho de 2014

Visita ao Museu da Maré

Cristina Muniz
Trago aqui um pequeno comentário sobre uma tocante visita ao Museu da Maré. Na ocasião, pude conferir a exposição temporária "Som da Maré".
O blog de autoria de Pedro Rebelo descreve o projeto na íntegra. Para visitá-lo, clique AQUI.
Por um labirinto cenográfico, caminhamos ouvindo jovens moradores nos contarem a história deste lugar, hoje um complexo de favelas chamado Maré. Assim, o labirinto cria, no espaço, aquilo que, no tempo, é a lembrança.
Passeamos pelo incrível cenário, descortinamos o seu passado, ao mesmo tempo percebendo os signos premonitórios de um novo futuro.

Ver o trabalho dos guias locais é vislumbrar nas ruínas dessa história, como diria Walter Benjamin, outras leituras do que poderia ter sido e não foi. Para ele, a democracia requer memória histórica, aquela possível de ser revisitada e contestada. E foi isso que senti vendo ali aqueles jovens narrarem a história cultural de muita luta de sua comunidade.

Com sua exposição permanente “Os Tempos da Maré”, o Museu nos provoca uma experiência sensível e profunda. Doze tempos formam um grande calendário: Água, Migração, Casa, Trabalho, Feira, Festa, Fé, Cotidiano, Criança, Medo e Futuro.

Do TEMPO DE CRIANÇA, trago um fragmento que muito nos interessa para pensar a cultura urbana moderna que tira as crianças da rua, tida como lugar perigoso! Esta concepção presente em inúmeros projetos sociais da comunidade aparece assim problematizada no espaço das crianças:
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De muito fácil acesso, o Museu tem um site com todas as informações disponíveis para visitação e lindas imagens, inclusive uma exibição virtual de "Os 12 tempos da Maré". Dê um pulo lá. Basta clicar AQUI.

24 de outubro de 2013

Guia dos museus brasileiros

O Guia dos Museus Brasileiros já está disponível para consulta e download. Elaborado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura), o guia traz dados como ano de criação, situação atual, endereço, horário de funcionamento, tipologia de acervo, acessibilidade, infraestrutura para  recebimento de turistas estrangeiros e natureza administrativa de mais de 3 mil museus já mapeados pelo Ibram em território nacional. Aqui, publicamos o material dividido por região, para facilitar o acesso. Clique para acessar:

Museus da Região Norte
Museus da Região Nordeste
Museus da Região Centro-Oeste
Museus da Região Sudeste
Museus da Região Sul
Museus extintos, incorporados e renomeados, museus em implantação e museus virtuais
Constam da publicação um total de 3.118 museus, incluindo 23 museus virtuais.

21 de agosto de 2013

O papel do setor educativo nos museus, de Maria Iloni Seibel Machado

Título [Principal]: O papel do setor educativo nos museus : analise da literatura (1987 a 2006) e a experiencia do museu da vida
Título [Outro Idioma]: The role of educative division in museums : analysis of the literature around education in museums (1987 to 2006) and the experience of the museum of life
Autor(es): Maria Iloni Seibel Machado
Palavras-chave [PT]: Pratica de ensino , Museus - Aspectos educacionais , Ciencias - Museu
Titulação: Doutor em Ciencias
Banca: Maria Margaret Lopes [Orientador], Maria Conceição da Costa, Adriana Mortara Almeida, Marilia Xavier Cury e Carlos Alberto Lobão da Silveira Cunha
Resumo:
Esta tese tem por objetivo explicitar as abordagens pedagógicas e o papel do setor educativo nos museus, a partir da análise de literatura que trata de educação em museus, incluindo teses e dissertações defendidas entre 1987 e 2006 no Rio de Janeiro e em São Paulo. Parte do pressuposto de que a prática educativa é uma prática intencionalizada e, como tal, atende a interesses e cumpre objetivos específicos voltados para determinados públicos - de acordo com o contexto e momento histórico em questão. Inicialmente busca situar o setor educativo em diferentes momentos da história dos museus, onde aparece como um setor específico criado para atender o público escolar sobremaneira. As funções que lhe foram atribuídas se traduzem em ações e atividades que acabam se tornando a "marca registrada" da atuação do setor educativo em diferentes tipos de museus, que é referenciada em princípios político-pedagógicos que tendem a corresponder àqueles que informam o sistema de ensino e a ideologia dominante nos diferentes momentos históricos - na maioria das vezes não explicitados. Apresenta um panorama geral das teses e dissertações selecionadas com informações sobre as instituições em que foram defendidas, bem como a formação dos autores, os temas abordados, os objetivos propostos, a metodologia de pesquisa e os referenciais teóricos que orientam os estudos. Examina alguns desses trabalhos que, entre outros aspectos, referem-se à questão pedagógica e ao papel do setor educativo, com o intuito de explicitar as abordagens pedagógicas e identificar contribuições e lacunas. Deste modo, foi possível rever a experiência de coordenar o processo de estruturação do setor educativo do Museu da Vida, e formular novas questões e reflexões, sinalizando possibilidades e limites desse setor para desenvolver, no museu de ciências, uma prática educativa transformadora

Abstract: This thesis aims to bring up pedagogic approaches as well as the role of educative division in museums, coming from the analysis of the literature around education in museums, including thesis and dissertations presented between 1987 and 2006 in Rio de Janeiro and São Paulo. It comes from the presuppose that educative practice is intentionalized, and, thus, lives up to interests and also intends for specific aims which are focused on some audiences - according to context and historical moment in question. Initially, it aims to situate the educative area in different moments of museums history, where appears as a specific place created to supply the scholar people overall. Functions them attributed stand for actions and activities which becomes the hallmark of educative area in different kinds of museums, referenced on political-pedagogic principles, tending to correspond to whose that inform system of learning and main ideology throughout various historical moments - most of times non-explicit ones. It features a general overview on thesis and dissertations selected with information about institutions where them were presented, as well as authors' formation, selected themes, proposed objectives, research methodology and theory references that guide studies. Some of those works which, among others, refers to pedagogical issue are looked over in order to makes visible pedagogical approaches, as well as identify gaps and contributions. This way, it was possible to coordinate process of educative building of Museu da Vida and thus formulate new questions and thinking, in order to develop a transforming educative practice in science museum.
Data de Defesa: 22-01-2009
Local de Publicação: Campinas, SP
Orientador: Maria Margaret Lopes
Instituição: Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Geociências
Nível: Tese (doutorado)
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências
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Para fazer download na tese de Iloni Seibel, clique em http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000442586&fd=y

Para acessar o Jornal do Museu da Vida (edição16) sobre Iloni Seibel e o projeto educativo na Fiocruz clique em http://www.appai.org.br/Jornal_Educar/jornal16/ciencias/museu.htm

20 de março de 2013

O difícil é simplificar

--> Roseli Martins / educativoims
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Numa dessas manhãs, assisti na TV uma homenagem ao centenário de Nelson Rodrigues. Em determinado momento da reportagem, me chamou a atenção a fala do diretor de teatro João Fonseca, que contou: “Quando ele começou a fazer peças onde o linguajar era mais popular, vamos dizer assim, perguntaram - Mas os seus diálogos não são muito pobres? E ele respondeu – ‘Você não sabe o trabalho que me dá empobrecê-los’”.
Em seguida me veio à cabeça que adequar conteúdos de uma exposição para trabalhar com o publico escolar também não é uma tarefa fácil e tampouco apresenta diálogos pobres. É preciso levar em consideração não apenas a adequação da linguagem, mas o repertório do grupo, já que ensinar exige respeito aos saberes do aluno e não representa somente a transmissão de teorias prontas. Mas, ao mesmo tempo, cabe ao educador não só esbarrar na curiosidade ou no conhecimento prévio do aluno, pois compartilhar o que foi pesquisado para a exposição pode agregar ainda mais conhecimento ao repertório do educando. No final das contas, ensinar exige também pesquisa e muito comprometimento.
 O tema de uma exposição pode trazer indícios sobre o foco do curador, mas só estando na exposição para ver abrangência de assuntos que envolvem o tema em questão. Essa abrangência faz com que o educador foque em um assunto ou outro para trabalhar com o seu grupo, mas isso não que dizer que sua visita se restringirá a sua escolha, pelo contrário, durante a visita podem fazer parte deste recorte outros apontamentos levantados pelos visitantes e pela curadoria.
 Porém, cabe aqui ressaltar que o tempo de envolvimento que o curador tem com a mostra difere do tempo de pesquisa do educador. No primeiro caso, por exemplo, uma mostra pode apresentar o viés de uma pesquisa acadêmica de muitos anos de quem a curou. Já no segundo, o tempo de estudo é mais fugaz, pode acontecer num mês e meio antes da abertura da exposição e durante o período da mostra, intercalando com as visitas agendadas. Por isso que é importante o recorte que o educador faz para exposição, pois o mesmo tem que considerar não só a adequação da linguagem e o repertório do visitante, mas o tempo de visita e do seu preparo para a mesma. 
 Na prática educativa, a leitura do que se trata a exposição pode ocorrer simultaneamente a reflexão acerca das possibilidades que ela apresenta para trabalhar com o grupo de forma didática. Um bom exemplo disso é quando um educador no meio de uma conversa sobre a exposição sugere uma dinâmica ou uma atividade prática para aplicar com o visitante que dialoga com o fazer do artista. Diferente de uma simples releitura, essa atividade pode servir  para que o aluno entenda melhor o que o será apreciado e discutido na exposição. Neste momento, lembro-me de Paulo Freire1 que enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa: ela se torna uma exigência da relação entre Teoria/Prática sem a qual a teoria pode virar blábláblá, tornando-se apenas discurso, e a prática, transformar-se em ativismo em uma reprodução alienada, que não provoca questionamentos.
 Enfim, esses são alguns caminhos percorridos pelo educador para a adequação de conteúdos de uma mostra. Por isso, não ache estranho, pobre e nem simples ver um educador olhando para o teto junto com o seu grupo numa exposição.
Numa mostra de fotografia, por exemplo, essa ação pode ser fundamental para exercitar não só o olhar daquele que observa o teto como um ponto de vista a ser fotografado; mas pode possibilitar também um contato mais estreito com os alunos, deixando-os mais a vontade para exercitar suas opiniões. Desta forma, aprendemos com eles e, por consequência, ensinamos.
1.  Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra, 2009.  
Fonte: http://educativoims.wordpress.com/2012/11/07/o-dificil-e-simplificar/