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10 de abril de 2011

Bárbara dos Prazeres - uma lenda urbana

          Muita gente já ouviu falar dela. Dizem que até hoje ela assombra o Arco do Telles, local onde fazia ponto como prostituta. Tudo começou em 1788, quando Bárbara, então com 18 anos, chegou de Portugal com seu marido. Foi chegar no Rio e se apaixonar por um mulato. Não teve dúvida, matou o marido e até que viveu uma vidinha boa com o amante até que notou que o homem não só vivia às suas custas como também a traia. Mais uma vez, resolveu seu problema na base da faca.
          Mas o dinheiro de Bárbara era pouco e, sem outros recursos a não ser o da sua beleza, virou uma prostituta. Muito afamada, tinha vários clientes até que notou que o tempo estava fazendo das suas e tirando-lhe o seu sustento. Contam então que, para manter-se sempre bela, Bárbara procurou a magia negra e passou a beber sangue de crianças vivas, acreditando que assim obteria a eterna juventude.
          Há quem jure que a via à espreita na Roda dos Expostos da Santa Casa, lugar onde depositavam bebês rejeitados.

Segundo a Wikipédia, "a roda dos expostos consistia num mecanismo utilizado para abandonar os recém-nascidos que ficavam ao cuidado de instituições de caridade. O mecanismo, em forma de tambor, giratório, embutido numa parede, era construído de tal forma que aquele que expunha a criança, não era visto por aquele que a recebia." Desenho de Thomas Ewbank (1845)
          Passados todos estes anos, a lenda de Bárbara dos Prazeres povoa o Arco do Telles...
A visita ao Arco do Telles é recheada de histórias curiosas.
          Milton Teixeira, um importante guia turístico da cidade do Rio de Janeiro, montou um roteiro por onde passa pelos locais onde habitam os fantasmas do Rio. Bárbara dos Prazeres é um deles.
           A personagem também excitou a imaginação de Ruy Castro que a colocou em seu romance "Era no tempos do rei" como amante do rei D.João VI. O livro foi adaptado e se tornou um musical.
A trama do musical gira em torno de um golpe da rainha Carlota Joaquina para tirar Dom João do trono, contando para isso com a ajuda de um amante seu, um diplomata inglês. Realidade e ficção se misturam. A prostituta Bárbara dos Prazeres foi interpretada por Soraya Ravenle.

Sistema subterraneo de coleta de lixo em Barcelona

8 de abril de 2011

Parece até que já conhecia

Alex Andrade
          Fechava os olhos pra dormir. Em poucos segundos, imaginava uma cidade pequena, pacata e florida. Eu imaginava seu nome como tivesse nascido por lá. Viajava: paisagens, ruas, becos e até as pedras beijadas a todo instante pelas apaixonadas ondas. E por falar em ondas, meu sonho preferido era navegar por uma baía, atravessar uma ponte, mas por baixo! A ponte era muito alta e imponente. De um lado, eu avistava... Opa, que barulho é esse? Olha, tem até avião. Ele precisa contornar duas belas montanhas. Não sou músico, mas dá até pra inventar uma canção: cidade, seu mar praia sem fim, essa cidade foi feita pra mim...
          Meu relógio, deixe-me apresentar, o galo Bombeiro, já disparava a soar a sirene. Passam das cinco da manhã. Hora de recolher o gado. Engraçado, quando acordo tenho a sensação que conheço aquela cidade. Parece tão próxima, atingível, acessível. É tanta vontade de sonhar e voltar a visitar, que me pego contando as horas pra voltar a adormecer e... E, acredite, tenho a maior dificuldade de lembrar dos sonhos. Pra ser mais preciso, só lembro quando sonho com esta misteriosa cidade. Na noite passada, surgiu em meu sonho uma cúpula redonda com um olho gigante. De lá, consegui avistar uma grande Pedra com uma rampa, incrível! Agora eu sei como se sentem os pássaros.

Asa Delta
          Nesta mesma noite, fiz uma visita a um Museu, aliás, um senhor Museu, arte, cinema, acho que em seu acervo tinham mais de cem mil itens, entre publicações, documentos originais, fotografias, vídeos, cartazes e plantas. É muita imaginação! Respirei uma Floresta que, de tão grande, acredito que poderia ser a maior área de mata em meio urbano do mundo. Mergulhei em duas praias, uma muito bacana, já a outra, aqui pra gente, avistei tão belas mulheres, quase me afoguei.

Praia 360 graus
Não, não acabou não! Bateu fome fui a uma confeitaria tinha até cristal nas luminárias, contornei uma montanha à beira-mar, cheguei a uma Praça já passava das XV, começou a soar um aviso de um barco que partia em busca de uma Ilha. Pra que tá? Muito agitado, parei para rezar numa igreja no meio de enormes e largas avenidas. O mais incrível, vem agora. Um OVNI! Acredite, esta é uma cidade de extraterrestres. Ela tem uma nave gigantesca, redonda como nos filmes e, dentro, cabem várias, umas cem mil pessoas abduzidas.

Maracanã
          Na noite seguinte, caminhei por um Jardim, imenso, a variedade de espécies e a majestade da Botânica deixou-me perdido. Caminhei por horas, até que cheguei a outro Jardim, porém, este era o quintal de um palácio, belíssimo, imponente, pensei ser de um imperador... Ih, lá vem o Bombeiro e sua sirene! Fim de sonho, início da realidade. O carro de boi já-já chega para buscar o leite e o queijo. Mas me diz uma coisa, você acha que devo escrever, porque, sabe como é, a idade chega a memória vai embora, a gente esquece tudo. Ah, outro dia sonhei que...
Ipanema à noite - JMGLA

3 de abril de 2011

Relato da Cinelândia

Mônica Vallim
          Apesar de todos os problemas causados pelo descaso de nossos políticos, o Rio de Janeiro continua sendo uma das cidades mais lindas do Brasil onde a natureza ainda sobressai em contraste com a violência nas favelas, com a arquitetura luxuosa de certos bairros e as construções muito antigas do centro.
          No centro da cidade do Rio de Janeiro, há trechos bucólicos com ruas estreitas, as chamadas travessas. Algumas delas possuem calçamento de paralelepípedo do tempo do Brasil Império e construções muito antigas tombadas pelo Patrimônio Histórico Nacional, mas em determinados pontos esse Rio antigo contrasta-se com um moderno de arquitetura arrojada. É fácil perceber isso quando caminhamos da Av. Presidente Vargas, onde se encontra a Central do Brasil, à Av. Rio Branco, indo em direção da Cinelândia. Mas tenha cuidado com a bolsa e o celular nesse trajeto, pois furto no centro do Rio é coisa corriqueira e ninguém faz absolutamente nada.
          Na Cinelândia, encontra-se a Praça Marechal Floriano Peixoto, onde fica a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e é palco de calorosas manifestações populares. A praça, toda calçada de pedras portuguesas, tem orelhões, bancas de jornal e bancos de madeira pintados de verde com pés de ferro em preto, e tem também muitas árvores frondosas com ninhos de pardais que amenizam o calor nos dias de verão. O que incomoda são os pombos e os pedintes. Tem uma estátua imponente de Carlos Gomes, um antigo compositor brasileiro, bem em frente ao Teatro Municipal que agora, depois de uma grande restauração, ganhou grades externas de proteção para impedir atos de vandalismo, e está mais belo que nunca. Até o Obama esteve lá no mês passado. É um local rico em histórias, com vários centros culturais próximos, e farto em conduções. Tem até estação de metrô que leva o povo rapidinho para a zona norte ou para a zona sul, embora atualmente estejam tão superlotados quanto os trens.
          Existe ali um restaurante muito conhecido que vive sempre lotado. Um prédio antigo pintado com um amarelo sem graça e com um toldo amarelo canário berrante, mas que talvez por isso mesmo se chame Amarelinho. Os petiscos de lá são bem gostosos e funciona até altas horas da madrugada.
          Quase em frente ao Amarelinho, cruzando a Praça Floriano e atravessando a Av. Rio Branco, tem a Biblioteca Nacional, que em 2010 completou 200 anos, e é considerada uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, segundo a UNESCO. É um prédio grandioso construído em 1910, de uns três ou quatro andares e tem colunas enormes na entrada principal, que lembram as construções da Grécia Antiga que vemos nos filmes épicos. Tem uma grande escadaria principal com duas escadarias laterais com corrimãos largos, daquelas que as crianças logo pensam que podem brincar de escorregar. Parte do seu acervo veio da primeira biblioteca do Brasil que foi fundada por D. João com o nome de Real Biblioteca, no tempo da vinda da família real, quando Napoleão invadiu Portugal.
Fontes:

Cidade educativa: para quê, como e o quê

Alunos do curso de formação de professores do ISERJ em visita ao Morro da Conceição
          Cidade educativa: para quê?
          Deleite afetivo? Oportunidade de devaneio, diversão, conhecimento? A integração solidária pressupõe várias possibilidades de atuação e devem fertilizar-se umas às outras.
          Cidade educativa: como?
          Pela leitura da cidade. Habitualmente busca-se ler o tempo passado no espaço presente. Mas onde se aloca o futuro na cidade? A cidade-por-vir reúne as várias dimensões do ser. A leitura é criativa quando as evocações e remissões não se resumem a um único passado, mas a passados possíveis, a porvires entrevistos.
          Cidade educativa: o quê? (cf. Jaume Trilla Bernet)
          Pelas escolas,museus, educação familiar, etc. em SINERGIA. Não se trata de simples soma,mas da ação combinada. A rua como escola da vida, a cultura em mosaico: conteúdos dispersos, sem ordem nem hierarquia epistemológico, de aspecto aleatório. É a aprendizagem informal superficial, que entende para além da obviedade.

          Aprender na cidade: a cidade como entorno.
          Aprender da cidade: a cidade como fonte ou agente informal ou meio de educação.
          Aprender a cidade: a cidade como objetivo ou contexto educativo. É a aprendizagem informal, fundamental para o desenvolvimento de uma compreensão do mundo para além dos padrões pré-estabelecidos.