Ônibus todos da mesma cor. Barracas de praia todas da mesma cor. Diante desses excessos, ressurge o tropicalismo.
Textos criativos,filosóficos, históricos e literários; itinerários, depoimentos e relatos para pensar a cidade como lugar de educação. O foco é o Rio de Janeiro mas experiências em outras cidades também são contempladas.
Produzido no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ. Nosso e-mail: cidadeeducativa@googlegroups.com
21 de agosto de 2011
19 de agosto de 2011
Concurso de Contos para Idosos - Prêmio Rubem Fonseca
Para moradores do município do Rio com mais de 60 anos
Tema: “Meu Rio de Janeiro”
Tamanho máximo: 100 linhas Prazo final: 30 de agosto
Resultado: 30 de setembro de 2011 (com premiação no final do mês de novembro)
Premiação
1º lugar: R$ 2.000
2º lugar: R$ 1.500
3º lugar: R$ 900
4º lugar: R$ 600
Iniciativa: Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida (SESQV)
Rua Afonso Cavalcanti, 455, 5º andar, sala 571, Cidade Nova
IMPORTANTE
Só será permitida a inscrição de um conto por participante.
O texto tem de ser inédito.
Não pode ter sido divulgado ou publicado, nem mesmo pela internet, mesmo que em parte.
Para acessar o Regulamento completo do Concurso clique AQUI.
9 de agosto de 2011
Vila Isabel, Tijuca e Alto da Boa Vista - impressões
***
GERAÇÕES
***
DIVERSÕES
| EXCURSÕES |
CASARÕES
| FOTOS:MBGLA |
...............
Feitiço da Vila
Noel Rosa e Vadico
Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos,
Do arvoredo e faz a lua,
Nascer mais cedo.
Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba.
A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem
Tendo nome de princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente
O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
"Sol, pelo amor de Deus,
não vem agora
que as morenas
vão logo embora
Eu sei tudo o que faço
sei por onde passo
paixão não me aniquila
Mas, tenho que dizer,
modéstia à parte,
meus senhores,
Eu sou da Vila!
8 de agosto de 2011
3 de agosto de 2011
Utopia carioca - questões acerca da revitalização da zona portuária
Ganhos e riscos da reocupação do centro histórico
Cláudia Antunes
Folha de São Paulo, julho de 2011
Folha de São Paulo, julho de 2011
Projeto recém-anunciado de revitalização da zona portuária promete uma das mais radicais reformas urbanísticas da história do Rio de Janeiro. Com implicações no patrimônio cultural, nos transportes, na política habitacional e no mercado imobiliário, o projeto ecoa outras utopias cariocas, como a Barra da Tijuca.
AS PEDRAS LISAS do cais em que desembarcou a princesa Teresa Cristina para se casar com Dom Pedro II, em 1843, foram assentadas sobre as pedras irregulares onde antes pisavam os africanos escravizados. Veio a República e cobriu o largo com paralelepípedos; o embarcadouro foi aterrado na construção do porto que, há cem anos, transformou em linha reta aquela faixa litorânea sinuosa do Rio da Colônia e do Império. As três camadas estão agora expostas, recuperadas por arqueólogos nas obras que prometem repovoar a zona portuária, na baía de Guanabara.
![]() |
| Foto:Linguarudo |
Esse ideal nasceu como contrautopia: a rejeição à "cidade perfeita" proposta pelos modernistas, que deu origem a Brasília e à Barra da Tijuca, a 25 km do centro carioca. Influenciado pelos estudos da americana Jane Jacobs contra a urbe segregada em classes e atividades econômicas, ele ganhou eco no Rio porque a presença de favelas em bairros ricos alimenta a expectativa de que o carioca seja receptivo à cidade misturada.
Sérgio Magalhães, presidente da seção regional do Instituto dos Arquitetos do Brasil, faz as contas: se um mapa de Paris, com um terço dos 6,3 milhões da população carioca, for superposto ao do Rio, ele só chegará até Botafogo, no sul, e até Vila Isabel, no norte, cobrindo menos de 10% da área. "Há 350 acessos de metrô lá, é uma cidade densa", diz Magalhães. "A viabilidade possível do futuro é a densificação. A expansão não permite que a cidade leve serviços públicos adequados para todo lugar. Leva miséria."
Em tese, todos os envolvidos no dito Porto Maravilha, a última de várias iniciativas de "revitalização" do centro, aceitam esse postulado. Mas a implantação do projeto traz disputas sobre os limites do planejamento urbano e da confiança da população nas autoridades.
Nos anos 1960, o PLANO DOXIADIS organizou o Rio a partir de eixos delineados por corredores viários. Foi proibido construir residências sem garagem. Túneis e viadutos transformaram em passagem os bairros residenciais do Rio Comprido e São Cristóvão, que, com o porto, Santa Teresa e o centro propriamente (incluindo Lapa e praça 15) compõem a região central. O fascínio despertado pelo carro influenciou a encomenda a Lúcio Costa, autor do plano piloto brasiliense, de um projeto para as baixadas da Barra e de Jacarepaguá, na zona oeste. Na operação, que quase dobrou a mancha urbana, a meta exposta por Costa era preservar a paisagem de mar e mangues. Ele queria "impedir que barreiras de cimento armado, construídas de frente para o mar como aconteceu em Copacabana, bloqueassem a vista e a aeração dos quarteirões".
Os condomínios fechados da Barra não criaram, porém, uma cidade integrada, com vida nas calçadas. Barra e Jacarepaguá têm concentrado lançamentos imobiliários, atraindo sobretudo moradores da zona norte e dos subúrbios, mais afetados pela violência do narcotráfico e esquecidos na definição das obras de infraestrutura.
Entre 2004 e 2010, ficaram nos dois bairros 53% das novas moradias e salas comerciais do Rio. A população ali cresceu 47% desde 1991 - na cidade, a média é de 12,5%. Mesmo com o incremento, não chega a 15% do total carioca. Centro, zona sul, zona norte e seus subúrbios se esvaziaram; no centro, vivem hoje 5% da população. As quatro regiões, entretanto, seguem concentrando 60% dos moradores. Quando anunciam-se novos imóveis ali, sempre começa uma corrida para comprá-los.
Desse quadro decorre que, para realizar a utopia da reconcentração, os urbanistas recomendem que a prefeitura reduza o licenciamento nas zonas de expansão, o que não está ocorrendo. "Isso é muito teórico. Somos prefeitura de uma cidade que existe", diz o secretário de Urbanismo, Sérgio Dias. Ele enxerga "preconceito" contra a Barra, tachada nos anos 1990 de bairro dos "emergentes". Dias afirma, entretanto, que apoia o "reforço da centralidade".
Além do porto --onde são oferecidos ao mercado cinco quilômetros quadrados, graças à liberação de terras da União-, haverá aumento de gabarito para construções na zona norte e permissão para oestabelecimento de residências na degradada área industrial da avenida Brasil, principal via de acesso ao Rio. "Não podemos chegar e dizer que não se pode construir nada [na Barra], mas estamos criando
uma competição."
QUEM VAI PELA AVENIDA BRASIL e toma a direção do aterro do Flamengo pela Perimetral - viaduto que será parcialmente derrubado na reforma-- tem uma visão panorâmica da zona portuária. Avista-se a igrejinha do morro do Pinto, no Santo Cristo. Um conjunto residencial recente assinala o morro da Gamboa. Atrás, começa a favela da Providência, a primeira do Rio, criada por ex-soldados de Canudos e recém-ocupada por uma Unidade de Polícia Pacificadora. Os prédios da praça Mauá encobrem a fortaleza do morro da Conceição, na Saúde. Por fim, colado à Perimetral, surge o mosteiro de São Bento, de 400 anos.
![]() |
| Zoneamento do Projeto Porto Maravilha |
A área inferior, adjacente ao viaduto, será destinada a novas edificações, que a prefeitura espera que sejam de perfil predominantemente residencial ou misto (imóveis com domicílios e atividade comercial). Na contracorrente, a primeira obra iniciada ali é de um prédio totalmente comercial. Só as instalações olímpicas --que incluem hotel, centro de convenções e vilas de mídia e de árbitros-- terão um projeto oficial, que acaba de ser escolhido em concurso. O perímetro próximo aos morros é uma área de preservação do patrimônio cultural desde os anos 1980, ao lado de seis casarios do centro.
Estivadores, domésticas e ambulantes respondem pelo grosso da ocupação do porto. Hoje, são 23 mil os residentes na região. Eles temem ser expulsos pelo plano modernizador. "Esta revitalização é para os moradores ou para o turista?", pergunta Nazaré Freitas, do morro da Conceição.
![]() |
| O Globo |
Metade da população do porto paga aluguel - que vem subindo. Para ela, não há política definida. A prefeitura tem dito que reassentará na região famílias desapropriadas por causa das obras. O projeto reserva ao patrimônio histórico 3% do dinheiro que for arrecadado com as empresas que construirão na área. Existem incentivos para a reforma dos cerca de 3.000 sobrados antigos. Parte deles, entretanto, não tem proprietário conhecido. Invasores denunciam despejos irregulares. Alguns imóveis transferidos no passado a ordens católicas seculares carecem de registro. Um quilombo reconhecido pelo governo federal disputa com religiosos sete casas perto da pedra do Sal, tombada como berço do samba.
![]() |
| Conflito na ocupação Flor do asfalto, ainda 2008 |
O sociólogo Alberto Silva, da empresa municipal que gere a reforma, diz que a verticalização virá em troca de espaço horizontal: os prédios deverão ter um recuo de 12 metros da rua e 15 metros dos vizinhos. "A legislação não permite condomínio fechado. Vai continuar tendo esquina, bar."
A qualidade do espaço público foi decisiva no plano premiado para a área olímpica, do arquiteto João Pedro Backheuser, em parceria com um escritório de Barcelona, que reformou seu porto para os Jogos de 1992. Se tudo correr como anunciado, os apartamentos desse setor serão vendidos depois a particulares.
Brugmann diz que diversidade é a palavra-chave: "Edifícios residenciais de classe média são críticos para o sucesso. A proposta é trabalhar, morar e se divertir num lugar só. Se tudo o que o mercado fizer for comercial e, de nosso lado, só fizermos habitação social, o abismo permanece. O Porto Maravilha vai por água abaixo".
***
Flashes de uma zona que abriga muitos sem-teto
![]() |
| Seguindo o exemplo de outras ocupações, como Chiquinha Gonzaga, Zumbi dos Palmares, Quilombo das Guerreiras, entre outras: a ocupação Machado de Assis, em 2010. (Midia Independente) |
![]() | |
| Produção de espaço |
1 de agosto de 2011
Arte na rua - performance "Ação carioca"
Eleonora Fabião
Vou comentar resumidamente uma performance - “Ações Cariocas” -
que realizei faz pouco tempo no Largo da Carioca
[uma das praças mais movimentadas do Centro do Rio de Janeiro].
Para realizar a primeira “Ação Carioca”, levo para o Largo duas cadeiras da cozinha da minha casa, um bloco formato A2 e uma caneta pilot. Quando chego no local escolhido do Largo, tiro o sapato, coloco uma cadeira diante da outra, escrevo no bloco “converso sobre qualquer assunto”, levanto o cartaz e espero.
No primeiro dia não fazia idéia do que iria acontecer. Minha motivação era muito clara: dialogar com meus concidadãos, tentar recuperar meu interesse e amor pela cidade onde cresci e que, por conta da corrupção política e da truculência criminosa, tornou-se uma violenta cultura do medo.
Para reagir contra minha prostração e frustração resolvi ir para a rua, conversar com quem quisesse conversar comigo, criar uma performance em que a receptividade fosse a chave dramatúrgica. Fato é que, logo depois de erguer o cartaz, quase imediatamente depois, uma pessoa sentou-se comigo. E assim sucessivamente. Várias pessoas, todo tipo de gente, tantas conversas e assuntos que precisaria de páginas e páginas para descrever.
No final de cada dia - permanecia cerca de quatro horas na rua e por vezes mais de uma hora com cada pessoa - estava eufórica, totalmente eletrizada, não exatamente pela ocupação de um espaço, mas pela abertura de uma dimensão, uma dimensão performativa; energizada pelo reencontro com a cidade e com a minha própria cidadania; energizada por podermos criar juntos, através do diálogo, e na medida de nossas micro-percepções e micro-políticas, novas possibilidades para nós, a arte e a cidade.
Trecho da entrevista publicada em 09/07/2009 no Diário do Nordeste. Conferir a íntegra aqui.
![]() | |
| ELEONORA FABIÃO faz um tipo de arte chamada performance que implica em risco, interação e acaso. |
Assinar:
Postagens (Atom)
















