Produzido no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ. Nosso e-mail: cidadeeducativa@googlegroups.com

5 de setembro de 2011

"De repente na praça" (oficinas)

Oficina de cordel com Mestre Azulão na Feira de São Cristóvão (RJ)

A Feira de São Cristóvão, patrimônio cultural do nordeste no Rio de Janeiro, está oferecendo oficinas gratuitas através do Ponto de Cultura De Repente na Praça.

As oficinas são:
Violão com Vicente Telles
Cerâmica com Etemilton 
Xilogravura com Erivaldo
Literatura de Cordel com Mestre Azulão

Apesar de imperdíveis, as oficinas estão muito vazias,
o que é uma pena devido à qualidade dos oficineiros.
Quem se interessar deve entrar em contato com Marcela (21) 7577-7211 ou pelo email derepentenapraca@hotmail.com

3 de setembro de 2011

Canção do Extermínio

Mônica S. Vallim
Minha terra tem edifícios cinzas
Carros, motos e ônibus a buzinar.
As aves aqui não mais gorjeiam
Elas não têm onde se aninhar.

Nosso céu tem mais fuligem.
Nossas várzeas, mais detrito.
Nossas florestas, nada virgens.
Nossas praias poluídas, que mito!

Sabe-se lá onde canta o sabiá?
Afinal, como é mesmo um sabiá?
Aqui não há canto algum de natureza tão intensa.
Mas no GOOGLE tudo, num segundo, vira crença.

O menino nunca viu uma ave livre na vida.
No almoço ou jantar, ela já vem embutida.
O que dirá então de ouvir gorjeios por cá?
Ai que dó dos meninos! Ai que dó dos sabiás!
***

28 de agosto de 2011

Carta das cidades educadoras (final do preâmbulo)

          Vivemos num mundo de incerteza que privilegia a procura da segurança, que se exprime muitas vezes como a negação e uma desconfiança mútua. A cidade educadora, consciente deste fato, não procura soluções unilaterais simples, aceita a contradição e propõe processos de conhecimento, diálogo e participação como o caminho adequado à coexistência na e com a incerteza. 
          Confirma-se o direito a uma cidade educadora, que deve ser considerado como uma extensão efetiva do direito fundamental à educação. Deve produzir-se, então uma verdadeira fusão da etapa educativa formal com a vida adulta, dos recursos e do potencial formativo da cidade com o normal desenvolvimento do sistema educativo, laboral e social.
          O direito a uma cidade educadora deve ser uma garantia relevante dos princípios de igualdade entre todas as pessoas, de justiça social e de equilíbrio territorial.
          Esta acentua a responsabilidade dos governos locais no sentido do desenvolvimento de todas as potencialidades educativas que a cidade contém, incorporando no seu projeto político os princípios da cidade educadora.
***
          Conversando, através da troca de emails, com um amigo filósofo sobre o  emaranhado que mistura a cidade (polis) e o ser do homem, ele observou que o indivíduo e a comunidade (polis) se entrelaçam, num sentido extraordinário, e indicou a leitura de Heidegger para a fim de se buscar as possibilidades "do homem ser o vivo da polis e a polis ser o núcleo da vida do homem". Mas como? Pergunta ele: "qual a via de acesso? Por onde seguir? Como entrar na cidade e ser da cidade a cidade, e não apenas representar a cidade em seus simulacros, armadilhas e seduções que desviam e impedem o olhar? Parece mesmo haver uma constante imposição de descaminhos."
          Jaume Trilla Bernet, numa perspectiva mais pedagógica e com o linguajar didático que essa perspectiva obriga, faz uma distinção entre as escolas-cidade, as cidades-escola e as cidades educativas. As primeiras (escolas-cidade) remetem a uma experiência opressora, do vigiar-e-punir, e à noção de instituição total descrita por Foucault mas também por Althusser. Porém, remete também à  idéia da república-escolar, à experiência da escola nova, principalmente nas vertentes pedagógicas de Makarenko ou de A.S.Neill, com Summerhill que, propuseram uma revisão das escolas-cidade, implantando comunidades educativas totais. Subjacente a essas experiências imperam o desejo de autogoverno, a vocação de isolamento, revisitados pelas comunidades hippies e recentemente pelas ecovilas. 
A pedagogia de Makarenko (1888-1939) é analisada em "O Nascimento da Pedagogia Socialista", de R. Caprile
A.S. Neill em Summerhill, comunidade-escola fundada em 1921
          Já nas cidades-escola, a escola configura uma cidade pré-existente como se verifica nas cidades universitárias, impingindo-lhe ritmos, horários e calendários. Ainda que perceptível em cidades como Ouro Preto, não fosse ela também dominada pelo turismo, o fenômeno se faz sentir em qualquer outra cidade e repercute, por exemplo, na escolarização dos museus e na implantação de um regime de atividades extraescolares que sobreescolarizam as crianças, mas também na atmosfera da cidade, em seu trânsito e no perfil da lojas que atendem as demandas escolares.
Em Cambridge, cidade universitária, a bicicleta é o meio de transporte favorito.
          Na cidade educativa, contudo, a cidade é por si-só um meio educativo, no qual a escola é apenas um dos elementos disponíveis. A discussão trazida por esse conceito configura-se como um reforço ou um restabelecimento da relação íntima entre paidéia e polis, e como evolução do pensamento pedagógico em relação à importância educativa do espaço não formal. Uma importante referência é o  informe de Edgar Faure da UNESCO: “Aprender a ser” (1973), pelo qual é possível dar continuidade ao debate sobre a desescolarização da sociedade proposto por  Ivan Illich e sobre a escola sem muros.
Segundo Rosiska Darcy, Ivan Illich denuncia a transformação da educação em um bem de consumo vendido pela instituição-escola, embora seja fora dos seus muros que aprendemos a maior parte do que sabemos. (Para ler o texto na íntegra, clique AQUI.)

24 de agosto de 2011

Leitura da cidade - dois textos

A SINTAXE DAS RUAS
Fernando Stickel
Marcio-André
A rua é uma escrita e como toda escrita tem sua sintaxe. Mas o que me faz pensar que a rua seja uma escrita? Para o Professor Emmanuel Carneiro Leão, a Viagem é a linguagem da paisagem; Uma paisagem é a linguagem das vias. Nesta perspectiva, a rua seria a linguagem das casas. Uma rua não é propriamente um lugar material. Não é, como lembra Boaventura, o avesso das casas, mas um espaço interstício que só existe em movimento. Uma rua só tem sentido como possibilidade de caminhada e possibilidade de um destino. Não há estrada que não leve a parte alguma — mesmo uma rua sem saída e sem prédios leva a algum lugar no qual muitos já precisaram ir. 
Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI (CONFRARIA DOS VENTOS)

***
Representações da imagem do centro de Porto Alegre
Um estudo sob a ótica de Kevin Lynch 
Leonardo Fitz

          No romance As cidades invisíveis, Italo Calvino faz uma análise social da urbanidade e do viver humano refletido nela – talvez nunca antes observado na literatura não-científica. Mas não é inteiramente correto afirmar que o livro relata apenas as cidades, ou a cultura de assentamentos humanos. Marco Pólo, viajante veneziano, descreve as fantásticas cidades do império mongol de Kublai Khan. Sua descrição, perspicaz e pessoal, nos ensina um pouco sobre como o homem vive, não propriamente na cidade, mas com os sentimentos mais arraigados da existência humana. Entre o sonho e a realidade, ambigüidades se replicam numa leitura concisa, que, de certo modo, caracteriza a cidade como um sólido e poderoso significado expressivo de edificação de uma sociedade e de sua cultura.
        [...]
         Assim como Marco Pólo, todos que freqüentam uma cidade (e principalmente aqueles que constituem a própria cidade) fazem uma leitura visual da paisagem urbana. A cidade, nesse momento, basta ser entendida como uma construção no espaço que pode ser percebida no decorrer de longos períodos de tempo e onde cada cidadão possui pontos de associação com algumas [de suas] partes [...], através de seus sentidos, suas lembranças, seus sentimentos e impressões vividos diariamente num ambiente citadino. 

A cidade não é apenas o que existe fisicamente, mas tudo aquilo imaginado pelas pessoas.
Confira quatro diferentes leituras do centro de Porto Alegre.
Para ler o artigo na íntegra, clique AQUI (VITRIVIUS)