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15 de novembro de 2011

O Rio para quem (não) conhece

Herika Maria Alvarenga
Nossa, tive uma experiência muito engraçada! Fui passar as férias em São Geraldo do Baixio, em Minas Gerais e as pessoas queriam saber se realmente o Rio de Janeiro tinha tudo aquilo que aparece na televisão, principalmente nas novelas.

É muito estranho descrever onde você mora para uma pessoa que talvez nunca vá a esse local. Em qualquer canto que eu chegava, me perguntavam como era viver num lugar que tem praia, montanha, cachoeira… Não vou me lembrar direito de todas as perguntas pois já tem oito anos que estive lá, mas elas eram mais ou menos assim:
É verdade que a água da praia é salgada?
É verdade, só não me pergunta o porquê que eu não sei.
Você mora perto da praia?
Mais ou menos, depende de que praia eu queira ir, pois existem algumas que ficam a uma hora da minha casa e tem outras que ficam a três horas. Para quem mora na capital, fica mais perto. Para quem vive nos municípios vizinhos, é mais distante.
As mulheres usam aquelas roupas de verdade para ir à praia? Os biquinis não são muito pequenos?
Em geral, sim. Mas isso vai do costume e da pessoa.
A cachoeira é perto da praia?
Mais ou menos, as cachoeiras da Floresta da Tijuca ficam perto.
Esta floresta chamada Floresta da Tijuca, você conhece?
Conheço sim. Fica a uma hora da minha casa.
No Rio, não chove? É verdade que carioca não gosta de frio?
Claro que chove! E sim, carioca não gosta de frio.
Que tipo de música vocês escutam?
Rock, música sertaneja, pop, samba, pagode, vários tipos. Cada um gosta de um estilo diferente.
No carnaval é aquilo mesmo? Você já foi ver de perto?
Acho que o que passa na televisão é igual ao que acontece mas não posso dizer pois nunca vi de perto. Bem, eu já passei por algumas escolas...
E o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, você já foi?
Não, ainda não tive oportunidade, mas um dia vou.

Pois é, isso de contar para as pessoas como é a cidade onde você mora pode soar estranho. Mas o mais estranho é que voltei para o Rio de Janeiro com a impressão de quem precisava conhecer melhor o lugar onde vivo era eu!

Copacabana, um lugar que não gosto

Herika Maria Alvarenga
          Desde criança, acho Copacabana um local estranho. As ruas são cheias de gentes que parecem se sentir superiores a tudo e a todos, andando como se as ruas fosse uma continuidade dos seus apartamentos. Apartamentos tão velhos como a minha avó, e olha que ela já morreu. As pessoas passam por cima, empurram e o pior não pedem licença e nem desculpa. Tem um pessoal lá muito mal educado. Até parece que não enxergam as crianças na rua pedindo qualquer coisa, a quantidade de gente pedindo esmolas e, à noite, as prostitutas (não tenho nada contra, cada um ganha a vida como pode, sei que essa profissão não é fácil).  E tem outras coisas que os moradores de Copacabana sabem que tem porém são capazes de dizer que é assim mesmo, que faz parte do contexto. Muitas vezes, eles culpam outros bairros: “ah, essas pessoas que saem das suas casas para sujar Copacabana!”. Engraçado, você passeia no Arpoador, Leblon, Ipanema, São Conrado, e não tem esse amontoado de gente.
          Fico a pensar porque esses moradores são assim. Muitas das vezes, eles nem têm um padrão financeiro “adequado” para Copacabana, entretanto se acham os donos do mundo, os donos da praia cantada em prosa e verso como Princesinha do Mar. Aliás, procurei e não achei quem deu este título: João de Barro (Carlos Alberto Ferreira Braga - Braguinha) e Alberto Ribeiro? Quem cantou pela primeira vez foi o  Dick Farney, no ano de 1947? Tambem pesquisei e encontrei a praia Rainha do Mar. Fica no Rio Grande do Sul. Aliás, muito linda. Os moradores de Copacabana iam morrer de inveja.
*** 
Tenho para mim que no Rio as ruas são faculdades;
os botequins, universidade.
João Antonio
          Morando defronte à praça Serzedelo Correia, no bairro de Copacabana, João Antônio (1937-1996) foi observador privilegiado do cotidiano carioca e da expressão de seus moradores. O rápido processo de transformações da cidade nos anos 1970 é flagrado no conto-reportagem Ô, Copacabana (capa ao lado).
          Em seu livro Guardador, de 1992, no conto com o mesmo título, o bairro faz pano-de-fundo para descrever o cotidiano do personagem. Eis um trecho:
***
Guardador
João Antônio
          ... Dizia-se. Miséria pouca é bobagem.
          A praça aninhava um miserê feio, ruim de se ver. A praça em Copacabana tinha de um tudo. De igreja à viração rampeira de mulheres desbocadas, de ponto de jogo de bicho a parque infantil nas tardes e nas manhãs.
          Pivetes de bermudas imundas, peitos nus, se arrumavam nos bancos encangalhados e ficavam magros, descalços, ameaçadores. Dormiam ali mesmo, à noite, encolhidos como bichos, enquanto ratos enormes corriam ariscos ou faziam paradinhas inesperadas perscrutando os canteiros. Passeavam cachorros de apartamento e seus donos solitários e, à tarde, velhos aposentados se reuniam e tomavam a fresca, limpinhos e direitos. Também candinhas faladeiras, pegajosas e de olhar mau, vestidas fora de moda, figuras de pardieiro descidas à rua para a fuxicaria, de uma gordura precoce e desonesta, que as fazia parecer sempre sujas e mais velhas do que eram, tão mulheres mal amadas e expostas ao contraste cruel do número imenso das garotinhas bonitas no olhar, na ginga, nos meneios, passando para a praia, bem dormidas e em tanga, corpos formosos, enxutos, admiráveis no todo... também comadres faladeiras, faziam rodinhas do ti-ti-ti, do pó-pó-pó, do diz-que-diz-que novidadeiro e da fofocalha no mexericar, à boca pequena, chafurdando como porcas gordas naquilo que entendiam e mal como vida alheia, falsamente boêmia ou colorida pelo sol e pela praia, tão aparentemente livre mas provisória, precária, assustada, naqueles enfiados de Copacabana. Rodas de jogadores de cavalos nas corridas noturnas se misturavam a religiosos e a cantarias do Nordeste. Muito namoro e atracações de babás e empregadinhas com peões das construtoras. Batia o tambor e se abria a sanfona nas noites de sábado e domingo. Ou o couro do surdo cantava solene na batucada, havia tamborim, algum ganzá e a ginga das vozes mulatas comiam o ar. ...
***
O que a Copacabana de João Antonio tem a ver com a de Dick Farney? 
 Ouça Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle) e tente responder.

12 de novembro de 2011

Carta da Velha Mansão do Alto da Boa Vista

Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2011
          Cara Senhora Cachoeira da Cascatinha,
          Com certeza a senhora não me conhece, então apresentar-me-ei: sou a Velha Mansão construída no século XIX, sua vizinha. Localizo-me à rua Boa Vista, nº 85, e ocupo uma área construída em 1200m². Contudo, a área pertencente a minha propriedade é de 30.000m².
          Já fui uma nobre residência nos áureos tempos do café, porém hoje estou em péssimo estado. Diria mesmo que de total abandono.
          Dizem os senhores especuladores imobiliários de plantão, que o meu valor está em torno de 30.000 milhões de euros. Veja só que incoerência! Tenho a aparência de uma necessitada que vive passando contínuas privações.
          Bem, em verdade, escrevo-lhe para fazê-la saber da grande admiração que tenho pela senhora. Além disso, queria dizer o quanto me emociona a alegria que durante muitos anos o senhor Visconde de Taunay desfrutou de sua fascinante e bela companhia.
          Eu não a conheço pessoalmente, mas através de pinturas, gravuras e fotos que os meus antigos proprietários e visitantes traziam, inclusive as do senhor Rugendas, tive o prazer de contemplá-la e até mesmo compreender os comentários a respeito da beleza de suas quedas d’água.
          No silêncio da noite, ouço a correria de suas águas passarem num córrego próximo, e por elas gostaria de mandar-lhe lembranças, mas elas não retornaram mais...
          Assim, sem saber da sorte que no futuro espera-me, parabenizo-me por estar vivendo esses longos séculos, próximo de uma senhora tão nobre e bela, e saúdo-lhe pela graça e pelo poder de contínua renovação da vida que lhe foi outorgado pela Mãe Natureza.
                                                                  Minhas sinceras congratulações,
                                                                                                         Velha Mansão
P.S. - Envio-lhe duas fotos minhas e uma imagem sua que guardo em minha memória.
Cascatinha, por Johann Moritz Rugendas (1822)
 Texto escrito por Maria Cristina Cezar Machado

23 de setembro de 2011

EducaMuseu: museu virtual de ações educativas

Acesso a uma infinidade de museus, todos os dias por todos os cantos do mundo
com seus programas, projetos e atividades educativas.

EducaMuseu é uma rede virtual que já ultrapassou 25 mil acessos,
com mais de 400 seguidores. 

 É uma ferramenta que viabiliza a troca efetiva entre os educadores através da divulgação de oportunidades e de interesses geradores de parcerias.

O EducaMuseu é uma ajuda fundamental para os educadores
que pretendem desenvolver a aprendizagem na cidade.

16 de setembro de 2011

Cartografias Insurgentes (Laboratório)


O convite em vídeo por ser acessado AQUI.

O Laboratório de Cartografias Insurgentes é um encontro para a produção de mapas políticos que reunirá movimentos contra as remoções e despejos que vêm acontecendo na cidade do Rio de Janeiro. Tais remoções e despejos têm ocorrido na esteira da “reorganização” da cidade visando os mega-eventos que acontecem nos próximos anos (e os que já ocorreram) e a emergência de uma nova forma de governança global das cidades.

No Laboratório de Cartografias Insurgentes militantes, pesquisadores, ativistas, comunicadores artistas e movimentos sociais se reunirão para imaginar e produzir mapas críticos e afetivos ligados às práticas produtivas e à ocupação do espaço metropolitano.
 
O encontro funciona como espaço de experimentações e debates que tratam das reconfigurações da cidade e das dinâmicas de resistência que lhe são correlatos, articulando-se como um laboratório em rede (Rio de Janeiro – Amazônia – América Latina) sobre política, estética e cultura.

Entendida como uma tática criativa de formações do desejo no campo social, a prática cartográfica nos remete a novos territórios, teorias e práticas. A potência do espetáculo atual que governa o mundo e os sonhos criados para escapar de seu reinado, pode ser anulado se usamos um método que consista em tomar as coisas dos inimigos para montar uma outra coisa, que ajude a combatê-lo. A organização de um novo significado que confira um sentido vivo a cada elemento faz parte da prática artística que ao utilizar diferentes mídias transforma o próprio desejo humano.

Mulheres, museus e memória no Museu da Maré (visitas mediadas)

Pesquisa de turismo no Morro da Conceição

          O projeto
          Para ampliar a visitação turística ao Palácio da Conceição, um projeto apoiado pelo edital Prioridade Rio 2010, da FAPERJ, está sendo desenvolvido pelo Labo­ratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social do Programa de Engenharia de Produção, da Coppe/UFRJ, em parceria com o Exército (Diretoria de Patri­mônio Histórico e Cultural e 5ª Divisão de Levanta­mento), visando beneficiar guias recém-formados pelo curso de Turismo do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior.
           "A equipe envolvida no projeto fez, primeiro, um diagnóstico do potencial turístico do Palácio da Conceição, por meio de inventário patrimonial, histórico e cultu­ral. Depois, organizou um planejamento para a visitação turística do local, dentro dos conceitos mais recentes de sustentabilidade e inovação", resume o coordenador da iniciativa, Roberto Bartholo.

           Marisa Egrejas, coordenadora do projeto, destaca que a ideia é aproveitar o turismo cultural ao morro e ao Palácio da Conceição como uma oportunidade para o desenvolvimento socioeconômico, pela formação profissional dos guias e pelos reflexos positivos que as visitas trarão à comunidade local.
           “Acima de tudo, temos a meta de utilizar o turismo como uma ferramenta para o desenvolvimento social”, ressalta Marisa Egrejas. “O projeto vai além de organizar visitas turísticas guiadas. Houve todo um trabalho prévio de pesquisa acadêmica sobre a memória do prédio e do morro da Conceição, que incluiu a produção de entrevistas com moradores da comunidade sobre os impactos da visitação no local, para então se chegar ao planejamento turístico”, completa.
           Para realizar o levantamento histórico do morro e do Palácio da Conceição, tanto bibliográfico como de história oral, foi necessário um trabalho de campo. A equipe de pesquisadores do Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social (LTDS) da Coppe/UFRJ contou com a colaboração voluntária de guias que, durante alguns dias, circularam pelo morro entrevistando os moradores. Este trabalho foi coordenado pela historiadora Lucia Miranda Boaventura, professora do curso de Turismo do Colégio Estadual Antônio Prado Júnior.
          Para o coronel José Cláudio dos Santos Jr., da Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural do Exército: “O Exército tem uma série de edificações, fortalezas e museus históricos que pertencem ao patrimônio cultural brasileiro. O Palácio da Conceição é um desses locais que ajudam a contar a história do País.”
Equipe
Coordenador geral: Roberto Bartholo
Coordenadora executiva: Marisa Egrejas
Pesquisadores em Turismo: Ana Elizabeth Queiroz, Edilaine Moraes, Fernanda Barcelos e Luiz Eduardo Baptista
Guias voluntárias: Danúbia Faria, Elizabeth Guichard, Heloísa Santos, Márcia Maciel, Maria Amélia Vieira, Vitória Mazei e Viviane Paiva

Fase de levantamento do inventário: Ana Elizabeth Queiroz (coord.)
Fase de levantamento da história oral: Lucia Miranda Boaventura (coord.)

Treinamento dos guias: Ana Elizabeth Queiroz, Maria Martha Maciel Alencastro de Souza e Marisa Egrejas (docentes do curso de Turismo);  Lucia Miranda Boaventura (professora de história). 
***
Agendamento de visitas
O projeto vai oferecer, de 3 de outubro a 8 de dezembro de 2011, visitas guiadas gratuitas ao Palácio e à Fortaleza da Conceição. Nesse período, 64 visitas serão realizadas, de segunda a quinta-feira, nos turnos da manhã e da tarde.

Agendamento para grupos de, no máximo, 25 pessoas, pelo email:
palaciosdorio@gmail.com
Divulgação / Marisa Egrejas
          Sobre o Palácio da Conceição 
          O morro da Conceição possui estreita ligação com o desenvolvimento do Rio de Janeiro desde os primórdios da colonização.
          Inicialmente, foi frequentado pela Igreja, com a construção de uma pequena capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição, em 1634, que se tornou Convento dos Capuchinhos. No século XVIII, a construção passou a abrigar a residência do primeiro bispo do Brasil, Frei Francisco de São Jerônimo, tornando-se conhecida à época como Palácio Episcopal do Rio de Janeiro.
          Depois das invasões francesas na antiga capital da Colônia, nos primeiros anos do século XVIII, uma fortaleza foi construída no morro da Conceição, reconhecido como ponto estratégico por vis­lumbrar parte da cidade e da Baía que lhe dava acesso. A fortaleza foi construída na vizinhança do Palácio Episcopal.
          No início do século XX, o arcebispo mudou-se para o Palacete da Glória e o antigo Palácio foi comprado pelo Exército para instalar a Missão Austríaca responsável pela modernização da cartografia naquela época.
          Hoje, este complexo patrimônio histórico nacional – Palácio e Fortaleza da Conceição – pertence ao Exército e abriga a 5ª Divisão de Levantamento, dedicada à produção e venda de cartas topográficas. O prédio fica no morro da Conceição, nas imediações da Praça Mauá, Zona Portuária da cidade. 
Dados colhidos no site da FAPERJ