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21 de agosto de 2013

A criança e sua participação na cidade - Bilu e João

IMPERDÍVEL

Bilu e João (curta-metragem de Kátia Lund)

O papel do setor educativo nos museus, de Maria Iloni Seibel Machado

Título [Principal]: O papel do setor educativo nos museus : analise da literatura (1987 a 2006) e a experiencia do museu da vida
Título [Outro Idioma]: The role of educative division in museums : analysis of the literature around education in museums (1987 to 2006) and the experience of the museum of life
Autor(es): Maria Iloni Seibel Machado
Palavras-chave [PT]: Pratica de ensino , Museus - Aspectos educacionais , Ciencias - Museu
Titulação: Doutor em Ciencias
Banca: Maria Margaret Lopes [Orientador], Maria Conceição da Costa, Adriana Mortara Almeida, Marilia Xavier Cury e Carlos Alberto Lobão da Silveira Cunha
Resumo:
Esta tese tem por objetivo explicitar as abordagens pedagógicas e o papel do setor educativo nos museus, a partir da análise de literatura que trata de educação em museus, incluindo teses e dissertações defendidas entre 1987 e 2006 no Rio de Janeiro e em São Paulo. Parte do pressuposto de que a prática educativa é uma prática intencionalizada e, como tal, atende a interesses e cumpre objetivos específicos voltados para determinados públicos - de acordo com o contexto e momento histórico em questão. Inicialmente busca situar o setor educativo em diferentes momentos da história dos museus, onde aparece como um setor específico criado para atender o público escolar sobremaneira. As funções que lhe foram atribuídas se traduzem em ações e atividades que acabam se tornando a "marca registrada" da atuação do setor educativo em diferentes tipos de museus, que é referenciada em princípios político-pedagógicos que tendem a corresponder àqueles que informam o sistema de ensino e a ideologia dominante nos diferentes momentos históricos - na maioria das vezes não explicitados. Apresenta um panorama geral das teses e dissertações selecionadas com informações sobre as instituições em que foram defendidas, bem como a formação dos autores, os temas abordados, os objetivos propostos, a metodologia de pesquisa e os referenciais teóricos que orientam os estudos. Examina alguns desses trabalhos que, entre outros aspectos, referem-se à questão pedagógica e ao papel do setor educativo, com o intuito de explicitar as abordagens pedagógicas e identificar contribuições e lacunas. Deste modo, foi possível rever a experiência de coordenar o processo de estruturação do setor educativo do Museu da Vida, e formular novas questões e reflexões, sinalizando possibilidades e limites desse setor para desenvolver, no museu de ciências, uma prática educativa transformadora

Abstract: This thesis aims to bring up pedagogic approaches as well as the role of educative division in museums, coming from the analysis of the literature around education in museums, including thesis and dissertations presented between 1987 and 2006 in Rio de Janeiro and São Paulo. It comes from the presuppose that educative practice is intentionalized, and, thus, lives up to interests and also intends for specific aims which are focused on some audiences - according to context and historical moment in question. Initially, it aims to situate the educative area in different moments of museums history, where appears as a specific place created to supply the scholar people overall. Functions them attributed stand for actions and activities which becomes the hallmark of educative area in different kinds of museums, referenced on political-pedagogic principles, tending to correspond to whose that inform system of learning and main ideology throughout various historical moments - most of times non-explicit ones. It features a general overview on thesis and dissertations selected with information about institutions where them were presented, as well as authors' formation, selected themes, proposed objectives, research methodology and theory references that guide studies. Some of those works which, among others, refers to pedagogical issue are looked over in order to makes visible pedagogical approaches, as well as identify gaps and contributions. This way, it was possible to coordinate process of educative building of Museu da Vida and thus formulate new questions and thinking, in order to develop a transforming educative practice in science museum.
Data de Defesa: 22-01-2009
Local de Publicação: Campinas, SP
Orientador: Maria Margaret Lopes
Instituição: Universidade Estadual de Campinas . Instituto de Geociências
Nível: Tese (doutorado)
UNICAMP: Programa de Pós-Graduação em Ciências
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Para fazer download na tese de Iloni Seibel, clique em http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000442586&fd=y

Para acessar o Jornal do Museu da Vida (edição16) sobre Iloni Seibel e o projeto educativo na Fiocruz clique em http://www.appai.org.br/Jornal_Educar/jornal16/ciencias/museu.htm

24 de junho de 2013

Direito à cidade e história da urbanização no Rio

O curta "Casas marcadas" ajuda muito a entender o que é o Direito à cidade. Ele foca o Morro da Providência e o atual, melhor dizendo, o contínuo processo de derrubada de casas para a implementação de melhorias urbanísticas e sociais. O que vemos é o velho processo de desrespeito aos pobres por parte dos governantes. E, subjacente, o mesmo processo de ignorância confortável dos privilegiados.

No filme, vemos as casas derrubadas para abrir a Presidente Vargas, num documentário de 1943. Prestem atenção no texto, na retórica que, ainda que modernizada, permanece. A aproximação passado e presente nos faz compreender melhor as falas dos moradores cujas casas foram marcadas para desaparecer. 

Para quem não lembra, esta prática vem da época colonial, com Dom João e sua corte. A diferença é que então desalojaram também imóveis da classe dirigente.

Corajosa é a fala de uma moradora que, da sua janela, declara: "Aluguel social é uma ilusão."ou "'Minha casa, minha vida' é onde eu moro." Emblemático também é o clamor de uma velha moradora por consciência, uma consciência mínima de quem tem mãe e pai. Teria sido interessante entrevistar também um trabalhador da obra. 

 
"Casas Marcadas" tem direção de um coletivo formado por
Adriana Barradas
Alessandra Schimite
Ana Clara Chequetti
Carlos E. S. Moreira (Beto)
Éthel Oliveira
Juliette Lizeray

23 de junho de 2013

O Rio acordou. E começa a pensar no direito à cidade.


24/06 (segunda-feira):
- 10h, OAB RJ: Reforma Política
- 13h, PUC Rio: "Movimento da Hora Presente: entre a rua e a universidade"
- 14h, Iesp/Uerj: "Debate coletivo: Porque não é só sobre R$0,20"
- 17h, UFRJ - Campus da PV: Plenária anti-fascista para avaliar a situação política do país
25/06 (terça-feira):
- 10h30, IFCS (sala 106): "Debate sobre o atual movimento de massas"
- 16h, Agência de Redes para Juventude (na Escola Livre da Palavra, Lapa): Debate com Luiz Eduardo Soares
- 18h, Plenária do Fórum de Lutas, na ABI ou no IFCS (a confirmar o local)

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Raquel Rolnik: a conquista do direito à cidade

(O Globo, 22 de junho de 2013)  Por Pedro Sprejer

Relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Raquel Rolnik acredita que a política urbana brasileira é historicamente dominada por uma coalizão entre interesses empresariais e políticos. Ela falou ao Prosa sobre o que vê como a exigência de um novo modelo de cidade no Brasil.

O que os protestos das ruas estão expressando?

Esse movimento, ou uma parte importante dele, é pelo direito à cidade. Na hora em que a pauta e a agenda dos protestos viram não apenas o valor da tarifa e a qualidade dos transportes, mas também saúde, educação e Copa do Mundo, o que temos é uma discussão sobre o modelo de cidade em que vivemos e o modelo de cidade que queremos. A questão das políticas de transporte e mobilidade são um componente muito importante, mas não exclusivo. Nós estamos falando de uma possibilidade para enfrentar esse modelo de cidade e transformá-lo completamente.

A corrupção emperra as políticas urbanas?

A ideia de que tudo não passa de um problema moral dos políticos corruptos, na verdade, esconde quem ganha e quem perde com o atual estado das coisas no Brasil. Esconde o que é verdadeiramente uma coalizão dominante na política urbana desse país, na qual políticos ganham a reprodução de seus mandatos, podendo ou não ganhar dinheiro para seus bolsos. Em contrapartida, os interesses empresariais ganham rios de dinheiro, taxas de lucratividade enorme, com a prestação de serviços muito ruins. Falam apenas dos políticos como se o mundo privado, as empresas corruptas, não fizessem parte.

Por que o transporte público no Brasil é tão ineficiente?

Há uma hegemonia do automóvel e do transporte sobre pneus na organização da cidade, baseada na ideia de transporte individual para poucos. Transporte público sempre foi coisa de pobre. Por isso nunca teve investimentos para ter qualidade. Além disso, o lobby e o cartel que as empresas concessionárias de ônibus têm historicamente na maior parte das cidades do Brasil é altamente lucrativo. Conheço prefeitos que tentaram e não conseguiram romper esse cartel porque ele tem uma força enorme nas câmaras municipais, elege vereadores, tem um poder enorme de conseguir fazer valer os seus interesses. As concessionárias de ônibus não são o único elemento: as empreiteiras de obras públicas que fazem pontes e viadutos viários também contam com uma enorme força política nessa coalizão que financia campanhas. Aí nós não estamos falando de campanhas de vereador, estamos falando de campanhas de prefeito, governador e presidente. Há uma relação forte entre o sistema político e os interesses empresariais que giram em torno dos serviços de obras públicas.

É possível que grandes protestos nas ruas deem margem a mudanças?

Desde a Constituinte, o direito à cidade para todos já era uma das pautas. A população cobrou isso nas ruas, mas essa ruptura não aconteceu. Agora é possível que ela aconteça. O Fernando Haddad (prefeito de São Paulo), por exemplo, está rediscutindo o contrato com as concessionárias de transporte coletivo agora. Com mais de 100 mil pessoas na rua dizendo “eu quero um transporte público de qualidade”, surge uma grande oportunidade para a prefeitura efetuar uma ruptura que não pode, não quis ou não conseguiu efetuar até hoje.

Há um questionamento maior em relação a forma de fazer política no Brasil?

Quando as decisões não são dialogadas, discutidas, trabalhadas, com os atingidos e com a sociedade brasileira, acabam gerando conflito ou acabam sendo judicializadas, que é o que aconteceu com Belo Monte. Entre as promessas da Constituinte, estava a ideia de uma democracia direta. Isso chegou a ser ensaiado em algumas cidades brasileiras ao longo dos anos 80 e início dos anos 90. Mas, na hora que apareceu muito dinheiro na jogada, proveniente do desenvolvimento econômico, essa pauta foi totalmente abandonada. E os partidos que estavam na oposição naquele momento, como PT e PCdoB, e carregaram essa bandeira, uma vez no poder, abandonaram essa agenda, que também nunca foi a agenda dos partidos de centro e de direita.

Quais consequências isso trouxe?

Claramente se viu o fortalecimento da hegemonia dos interesses corporativos na condução da política urbana no Brasil e isso foi acontecendo progressivamente. Nós derrubamos a ditadura, mas não derrubamos essa coalizão entre governo e empresários. E ela impediu que uma pauta pelo direito à cidade avançasse. Agora é uma oportunidade de fazer avançar essa agenda, porque, pela minha leitura, é isso que o povo que está na rua quer. Quando se fala de mobilidade para todos ou estádio para quem, estamos falando que não queremos que uma cidade seja construída apenas para negócios imobiliários, negócios em geral. Que a cidade é nossa, que coisas não lucrativas têm que acontecer. Então, é sobre a função social da cidade que falamos.

Como as manifestações em relação à organização da Copa dialogam com esses protestos?

Quem discutiu o projeto de Copa no Brasil e como ele seria feito, com quem ia ser feito, o que ia acontecer com os atingidos? É o que as manifestações na rua estão questionando. Como relatora do direito a moradia, recebi muitas denúncias de violações nas remoções na preparação para a Copa e Olimpíadas. Tudo isso tem a ver com um modelo de cidade absolutamente excludente.

Concentração para a passeata Candelária-Prefeitura do Rio de Janeiro, 20 de junho de 2013






















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Parecia uma quermesse. O clima era de expectativa. E quando chegar na prefeitura, faz o quê? Ouvi um cara dizer "deixa os almofadinhas saírem, aí...". Máscaras de Anônimos custavam 10 reais. Muita gente. Classe média em sua maioria. Jovens. Engravatados. Estudantes. Professores. Muita gente. Protestos e presença de homossexuais ou simpatizantes. Ida. Encontro com os bombeiros. O pessoal das vans. O acende e apaga das salas e apartamentos para mostrar adesão. As parcas palavras de ordem. Algum silêncio. O xingamento ao Cabral. Fotos, muitas fotos. Mamãe, saí do Face e tô aqui, ó! Fotógrafos e alguns repórteres também anônimos. Como anônimo era o carro de som que anunciava a presença da cavalaria e do batalhão de choque na Prefeitura. Segue-se assim mesmo. Estação da Cidade Nova: fechada. Gritos à frente. Corre-corre. Por que? Cara de medo nas pessoas. Segue-se assim mesmo. Bombas. Gente voltando. Tem caveirão. A multidão se volta e tenta se manter calma. Não corre. Não corre. Alguns caras e muitas outras pessoas passam em sentido oposto. Eles seguem assim mesmo.

PS - Pena não ter fotos da passeata. Só da concentração. Durante a caminhada, preferi guardar a máquina e curtir até onde desse.

14 de junho de 2013

Rio 7X7


São 7 autores, 7 contos cada, 7 diferentes pontos de vista sobre a cidade do Rio de Janeiro:
Dailza Ribeiro => empresta voz a 7 crianças contemporâneas e suas questões.
Martha Estima => contos de chegadas e partidas no Rio
Edna Bueno => parte dos 7 dias do Gênesis para escrever 7 contos
Armando Moya => 7 momentos de um maldito apaixonado em uma noite na Lapa
Rogério Klein => 7 dias de uma semana de uma família de Copacabana
Claudia Vieira => 7 contos, 7 protagonistas mulheres
Morgana Masetti => contos a partir de notícias de jornal
 
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Edna Bueno nos passou o esquema de que serviu para escrever os seus contos

Seguindo os dias descritos no livro do Gênesis, ela criou suas histórias. Veja abaixo os títulos dos contos correlacionados às passagens bíblicas.
1. As luzes da cidade - Que haja luz! E a luz começou a existir.
2. O céu de cada dia - Que haja no meio da água uma divisão para separá-la em duas partes. E a essa divisão, Deus deu o nome de céu.
3. Caminhos de terra e mar - Que a água que está debaixo do céu se junte num só lugar a fim de que apareça a terra seca. E assim aconteceu.
4. Horizontes - Que haja luzes no céu para separar dia e noite e para marcar os dias, os anos, as estações. E Deus fez duas grandes luzes: a maior para governar o dia e a menor para governar a noite.
5. Águas e asas - Que as águas fiquem cheias de todo tipo de seres vivos e que na terra haja aves que voem no ar! Assim Deus criou os grandes monstros do mar, e todas as espécies de seres vivos que em grande quantidade se movem nas águas, e criou também todas as espécies de aves.
6. Passarela do Samba - Que a terra produza todo tipo de animais: domésticos e selvagens e os que se arrastam pelo chão, cada um de acordo com a sua espécie! E assim aconteceu. Então Deus criou os seres humanos, com poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os que se arrastam pelo chão. Ele os criou homem e mulher.
7. Manhã de Sábado - No sétimo dia Deus acabou de fazer todas as coisas e descansou de todo o trabalho que havia feito. Então, abençoou o sétimo dia e o separou como um dia sagrado.
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Trecho de Passarela do Samba
Edna Bueno
Brigaram fazia um mês, briga drástica e definitiva. E a diretoria cobrou o compromisso com o desfile: teriam que cumprir, defender a verde e rosa. Lado a lado, um e outro. José Adão nervoso ajeitava a fantasia de nobreza no corpo. Mais de hora na concentração, Eva Maria nada. Mestre-sala e porta-bandeira, bela brincadeira do destino – fosse o derradeiro encontro, nem mais turnê, nem apresentação. E aí? Tudo bem, como vai? Aguentar a soberba dela? Sorrir, como se nada houvesse acontecido? O show tem que continuar, lhe dissera o diretor de harmonia, aliás passando por perto no exato momento. Seguiu-o, sabia que gostava de uma pinga, com ele deu uns goles numa Salinas da mais alta qualidade.
– Já chegou a moça, rapaz? Ela vem, não é besta de não vir.

14 de maio de 2013

Por uma visita teatralizada no Instituto de Educação

           Bia Albernaz
http://riodejaneiroqueeuamo.blogspot.com.br/2009/09/detalhe-do-telhado-com-suas-telhas-de.html
         Uma vez escrevi um texto que se chamava “Como manter vivo um museu-casa?”.* Uma das conclusões a que cheguei na época é que um lugar se mantém vivo na medida em que permanece em construção, pela criação ou pela acolhida de processos de intervenção. Em termos museográficos, isso poderia ser realizado ao apresentar a leitura desse mesmo lugar por um frequentador menos óbvio, como um inspetor por exemplo (tendo em mente o Instituto de Educação); ou pela presentificação de um de seus fundadores, como Anísio Teixeira, através de um ator. Ou seja: um lugar pode ser revivido pela sua exposicão transversalizada, com a interferência concreta, visível e perceptível dos saberes ou poderes que lhe instituem. Vozes em off podem acompanhar a visita, ou luzes, imagens projetadas, aparições... As intercorrências e os atravessamentos no cotidiano de um lugar podem ser ritualizados, ou melhor, teatralizados, aguçando-se assim a percepção do saber que ali se encontra guardado. Pelo deslocamento dos sentidos através da presença, mesmo que fictícia, de personagens, de vozes marcantes na história do lugar, provoca-se uma experiência no visitante que ultrapassa o seu cotidiano e o seu olhar ordinário, e gera pensamentos e questionamentos pela transversalidade de saberes públicos, privados e míticos.
          Lutar contra o esquecimento não se dá pela simples lembrança. Memória é experiência. Tem duração e pressupõe participação, no sentido clássico da palavra – em que madeira e fogo participam um do outro para formar a fogueira. Um passa a ser o outro. Participação é identificação. E identificação se dá pela participação em um processo específico de construção.
          Além de ser uma instituição de ensino e pesquisa, o  Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro é um museu pedagógico: um lugar para se visitar, consultar, recordar, prestando-se à busca afetivo-intelectual ao tocar a sensibilidade e a inteligência das pessoas, sejam elas crianças, adolescentes, adultos ou idosos, alunos e não alunos da instituição. Para isso o Instituto deve procurar um modo de abrir as suas portas a todos, convidando a todos a se apropriarem e participarem de sua experiência como uma matriz da educação pública, gratuita e laica.
          Para manter vivo o Instituto, porém, é preciso reconhecer as suas contradições e rever permanentemente os seus pontos de vista. Para preservar a sua memória, portanto, é preciso colocá-la em discussão, politicamente, reconstruindo-a por um ritual com o qual todos possam se identificar e ao mesmo tempo estranhar. O Instituto, nessa acepção, deve ser um lugar de aprendizagem, para além das suas salas de aula. A discussão deve tomar o teatro, o torreão, o pátio, cada cantinho é passível de ser pensado museograficamente, na medida em que contribua para a transversalização de saberes e de poderes expostos no espaço da instituição.
          O Instituto de Educação como um todo e em cada uma das suas partes pode ser uma porta para a história do pensamento educativo no Brasil. Muitas atividades já têm sido realizadas dentro dessa concepção.  Trata-se apenas de aprofundá-la, de torná-la consistente “como manifestação de uma proposta educacional não de ressurreição mas de refundação, de reivindicação de uma potência para o que está vivo”, ainda que e talvez por isso mesmo a vida desse lugar passe pela experiência do abandono.
          Para a ressurreição, não há fórmula, mas pode haver um roteiro, um ritual teatralizado provocador que nos mostre o poder dos esquecidos contra a força que consome as coisas e as transforma em cinzas. Não se trata simplesmente de repetir um discurso de enaltecimento do tombamento do prédio. É preciso reacender as ideias que fizeram com que o prédio se erguesse. É preciso romper o isolamento, sem temer o risco de receber visitantes e de expor-se a um público externo e alheio ao que se passa no interior do Instituto. Pelo contrário, devemos buscar formas de atrai-lo. Lutar contra o esquecimento é cultivar o diálogo, a narração e a poesia, para além do discurso. Joguemo-nos na nossa realidade, na nossa história, reinventando modos de recontá-la.

* http://www.unirio.br/jovemmuseologia/documentos/3/resumo_albernaz.htm
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Exemplos de visitas teatralizadas
O Programa Educacional e Social do Museu Casa do Pontal é desenvolvido, desde 1996, com os objetivos de divulgar a arte popular brasileira e democratizar o acesso ao acervo de mais de 8.000 obras da instituição.
http://museudopontal.blogspot.com.br/2009/10/programa-educacional-e-social_23.html
Entre as atrações do Programa Educativo estão Visitas Teatralizadas ao prédio do CCBB.
A deusa Têmis encontra Rui Barbosa no Tribunal da Justiça. Ver: http://www.tjrj.jus.br/web/guest/institucional/esaj/iv-encontro-escolas/galeria/visita
Visita a Zugarramurdi, na Espanha, um pequeno enclave de 250 habitantes que guarda várias histórias sobre bruxas.
http://www.turismozugarramurdi.com/seccion/presentacion_institucional/
http://gerindabai.blogspot.com.br/2010_11_03_archive.html