Produzido no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro - ISERJ. Nosso e-mail: cidadeeducativa@googlegroups.com

16 de abril de 2012

O que é aprender no, aprender do, aprender o Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro

Else Kirschner de Lima Chagas

Aprender no mosteiro é procurar entender sua importância histórica para a cultura carioca. É entender que o Mosteiro de São Bento surgiu vinte e cinco anos após a fundação da cidade do Rio de Janeiro. É entender como a sua rica igreja barroca não se limita a ser um monumento histórico turístico religioso, mas também ser parte de um colégio e de uma faculdade renomados, com uma valiosíssima biblioteca, além de possuir um dos melhores órgãos do Brasil.

Aprender do mosteiro é compreender a complexidade das relações que ali se estabelecem. Lá aprendemos e observamos não só a disciplina dos próprios monges, mas também das pessoas que ali vão visitar. Pois por mais que elas tenham uma vida turbulenta e agitada, quando entram no mosteiro, absorvem e internalizam imediatamente as regras daquele lugar. Mulheres e homens tagarelas que ali pisam se calam, mesmo não sendo católicos, e observam, oram ou apreciam as magníficas esculturas e a arquitetura do prédio.

Aprender o mosteiro corresponde à minha própria aprendizagem com o mosteiro. Apesar de ele ficar localizado no centro do Rio, quando entro ali sinto como se entrasse em um portal que me leva para o século XVII. Fico imaginando os casais que concretizaram ou não sua felicidade naquele lugar, aqueles que se casaram ali. Fecho os olhos e me imagino casando, mesmo não sabendo quem será o noivo. Quer dizer, aprender o mosteiro é internalizar toda a sua paz, o seu silêncio; é imaginar histórias passadas e futuras, enfim – como dizem os jovens de hoje –, é curtir o mosteiro.


Órgão Berner. Fotos: Gisele Sant'Ana

Nenhum comentário:

Postar um comentário